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(Impressões Kadett Ipanema.)Estável, rápida e moderna. É a perua Kadett que está chegando ao nosso mercado.
Conheça a nova perua da GM, aerodinâmica, com muito espaço interno e equipada com motor de 1800cc, igual ao do Monza.
De frente, é moderna igual ao Kadett. Vista de traseira é estranha, quase chocante. É a Kadett lpanema, perua que a General Motors está preparando para colocar no mercado ainda este ano, apenas seis meses depois do lançamento do Kadett. Como detalhe mais marcante, a lpanema apresenta o corte traseiro da carroceria, totalmente reto, com vantagens para a aerodinâmica e espaço do compartimento de bagagem. Por outro lado, a estética é bastante diferente do modelo - da mesma forma que o Kadet! - poderá encontrar alguma resistència por parte dos consumidores brasileiros mais conservadores.
Na própria pista de testes da GM, em Indaiatuba, SP, OFICINA MECÂNICA avaliou a Ipanema em sua versão luxo, a SL/E, tanto na versão a álcool como a gasolina. As lpanemas tem as mesmas versões de acabamento do Kadett hatch - SL e SL/E, sendo disponível apenas com o motor 1.800cc, já que o 2.000cc só é encontrado nos Kadett GS, o esportivo da linha Kadett.
(Graças ao desenho da traseira, o espaço para bagagens é o maior entre as peruas nacionais da categoria. A forma da traseira auxilia ainda a penetração aerodinâmica.) A Ipanema avaliada por OFICINA MECÂNICA era equipada com direção hidraúlica, ar condicionado, volante com altura regulável, vidros, bloqueio, antena e espelhos elétricos, vidros verdes, limpador de vidro traseiro, banco traseiro bi-partido, enfim, praticamente todos os opcionais disponíveis no Kadett SL/E hatch, inclusive regulagem de altura da suspensão traseira.
Os cerca de 1.020 quilos de peso da perua, quase 20 quilos a mais que o Kadett hatch, fazem alguma diferença, principalmente na versão gasolina. Isso porque da potência máxima ser a mesma (95 cv), ela acontece em rotações diferentes (5.800 rpm na versão à gasolina e 5.600 rpm no álcool). Apenas para comparação, a Ipanema gasolina gastou cerca de 13,5s para ir de 0 a 100 Km/h enquanto a versão a álcool gastou 12,5s para ir da imobilidade a 100 Km/h. A velocidade máxima alcançada na pista da GM foi de cerca 160 Km/h para a Ipanema a gasolina e aproximadamente 165 Km/h para a versão a álcool.
Os freios são bastante seguros, graças à uma válvula proporcionadora de pressão para as rodas traseiras. Quanto mais peso a Ipanema recebe, mais pressão o freio traseiro passa a ter. A atuação desta válvula é mais eficiente que as usadas em alguns carros nacionais, pois é instalada em posição central, ao contrário das outras, que são laterais. Isso permite uma melhor distribuição da pressão nas duas rodas traseiras.
Em curvas, a perua se mostra superior ao Kadett hatch, pois a distribuição de peso diferente (carroceria com teto mais longo e tanque reposicionado, baixando mais o centro de gravidade), tornou-a praticamente neutra, atenuando um pouco a tendência a sair de frente que acontece no limite de aderência da versão hatch. Contribuem também para a melhor estabilidade da Ipanema, as barras estabilizadoras mais grossas em relação ao Kadett, que impedem a inclinação excessiva da carroceria em curvas. Essa característica mais neutra da perua permite até alguns abusos em curvas e manobras de ultrapassagem.
(A lanterna, com quatro seções de informações, é vertical. À direita, a válvula proporcionadora que aumenta a pressão do freio nas rodas traseiras, conforme a carga transportada.) Mecânica
O motor da Ipanema, bem como o câmbio - de cinco marchas, configuração 4 + E, onde quatro marchas são de velocidade e a quinta, ''overdrive'', de economia - são iguais aos do Kadett hatch, ou seja, motor 1.800 (1.796cc de cilindrada real), fluxo de gases cruzados (admissão por um lado e escape por outro) e comando de válvulas único no cabeçole. Todo esse conjunto dianteiro, motor e câmbio - incluindo as suspensões tipo McPherson, são semelhantes ao do Monza.
(Com o banco traseiro rebatido, o espaço para bagagem é excelente.) Na traseira é que se localizam as mudanças mecânicas da Ipanema em relação ao Kadett: o eixo rígido permanece o mesmo, mas os amortecedores foram reposicionados, passando a ser inclinados ao invés de verticais. Isso para não haver invasão do espaço de bagagem com torres de suspensão, como acontece, por exemplo, com a Parati. A barra estabilizadora traseira passou de 14 para 16mm de diâmetro e os freios ganharam a válvula proporcionadora de pressão.
Para permitir o basculamento do banco traseiro, o tanque de combustível saiu da posição que ocupava no Kadett - sob o banco - e passou para a parte inferior da carroceria da Ipanema, o que contribui ainda para melhorar a distribuição de peso, pois o tanque é colocado mais baixo e depois do eixo traseiro, abaixando bastante o centro de gravidade.
Na suspensão traseira foram mudadas a posição dos amortecedores, mais inclinados e a barra estabilizadora, agora mais grossa. Com isso, a estabilidade melhorou bastante.) O espaço para bagagem é muito bom, provavelmente o melhor entre as peruas de sua categoria, com acesso amplo, facilitado graças às dimensões da porta traseira. O corte reto da traseira da Ipanema permite que se acomode um volume maior de carga, principalmente de grandes dimensões; quando o banco traseiro é rebatido, aí então a capacidade de carga aumenta muito.
A estabilidade direcional é excelente, principalmente em altas velocidades, auxiliada também pela aerodinâmica apurada da perua (Cx de 0,35). As ressalvas para a Kadett lpanema são em relação ao posicionamento do check-control, luzes indicadoras de problemas, como nível de óleo, pastilhas gastas etc. (embutido na prateleira do painel) e das teclas de acionamento dos vidros e espelhos elétricos (exigem que o motorista desvie a atenção para localizá-las). O pequeno espaço para os ocupantes do banco traseiro talvez seja o aspecto mais negativo, não só da perua, como de toda linha Kadett.
De resto, reúne as excelentes características de dirigibilidade dos demais carros da linha Kadett. Apenas é preciso saber como o público irá receber o design da Ipanema, muito diferente das demais peruas do mercado inclusive da Marajó (derivada do Chevette), que a GM retirou de linha recentemente. O Kadett hatch encontrou certa resistência ao ser lançado, por causa de seu estilo inovador, mas já é o quarto carro mais vendido do Pais. Confirmando-se esta tese, a Ipanema será um sucesso, afinal em decorrência da traseira "diferente" conseguiu-se o maior espaço para .bagagem entre as peruas da categoria.
"Excelente em qualquer tipo de piso"
"Gostei muito da Kadett Ipanema, durante esta primeira avaliação no campo de provas da GM em Indaiatuba, SP. A boa impressão começa com a excelente posição de dirigir, onde todos os comandos são de fácil acesso, particularmente a alavanca de câmbio, mais comprida que a tendência atual de dimensioná-las curtas demais.
O comportamento da nova perua da GM surpreendeu, tanto pelo ótimo casamento do conjunto motor-transmissão, como pela excelente estabilidade nos mais variados tipos de curvas, mesmo em piso irregular.
Com seu funcional espaço para bagagens, devido à forma quadrada de traseira, e possuindo um suave e potente motor de 1. 800 cm3, acoplado a um câmbio tipo 4 + E (quatro marchas de velocidade e uma de economia), a Kadett lpanema é uma ótima perua média para o dia-a-dia e para viagens longas.
Bob Sharp
Revista: Oficina Mecânica
Texto: Ricardo Caruso
Fotos: Mario Villaescusa
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